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sábado, 8 de julho de 2017

Literatura

c. 2600 a.C.

Literatura

Suméria

Comunicar ideias, crenças e experiências por meio da palavra escrita

O que diferencia a literatura de outras formas de escrita
não é sempre claro. Embora trabalhos técnicos, descriti-
vos e científicos sejam por vezes inclusos na definição mais
ampla de literatura, o termo é usado com mais frequência
para se referir a trabalhos narrativos criativos e expressivos.
Por meio da literatura um escritor usa palavras para trans-
mitir ideias, sentimentos, experiências e outros fenôme-
nos humanos compartilhados, em vez de simplesmente
relatar fatos.
   A literatura não poderia existir sem a invenção da escri-
ta, mas a escrita em si não necessariamente constitui lite-
ratura. A existência da escrita pode ser datada das culturas
da Idade do Bronze na antiga Mesopotâmia, em 3000 a.C.,
mas a literatura não surgiu até aproximadamente 400 anos
depois na Suméria antiga. Antes da invenção da escri-
ta a literatura existia apenas na forma oral, passada entre
gerações na forma de histórias e mitos. Uma das histórias
mais antigas e bem conhecidas destes tempos é a Epopeia
de Gilgamesh - uma descrição na linguagem acadiana da
odisseia de Gilgamesh, o rei da cidade-estado mesopotâ-
mica de Uruk -, que foi registrada em escrita pela primeira
vez por volta de 2000 a.C. Várias formas de literatura surgi-
ram independentemente em diversas civilizações antigas
e foram modificadas no decorrer do tempo, passando a
incluir obras de poesia a drama, ficção narrativa e histórias
em quadrinhos.
   A literatura existe em várias formas dentro de um
espectro, do gozo escapista ou estudo tedioso a um vín-
culo que se desenvolve entre aqueles que leem uma obra
específica e compartilham uma identidade ou um propó-
sito similares. Uma obra literária pode expressar os medos,
desejos ou sentimentos de uma nação inteira, e pode con-
ter significância histórica e cultural. A literatura possibili-
ta que as ideias sejam transmitidas por fronteiras geográ-
ficas e temporais, servindo como um vínculo não ape-
nas entre culturais, mas também entre o passado e o pre-
sente, entre gerações, civilizações e pessoas. MT

Retirado do Livro 1001 Ideias Que Mudaram Nossa Forma de Pensar / Editora Sextante

terça-feira, 4 de julho de 2017

Sabão

c. 2800 a.C.

Sabão

Babilônia

Substância feita do sal de um ácido graxo que, ao ser dissolvida na água, torna-se capaz de remover sujeira de diversas superfícies

Ninguém sabe com certeza quando o sabão foi fabricado
pela primeira vez, mas a evidência mais antiga é de 2800
a.C.: o revestimento de um material similar ao sabão guarda-
do em cilindros de barro foi descoberto por arqueólogos em
uma escavação na antiga Babilônia. Outras escavações na
Babilônia forneceram o registro mais antigo de como fazer
sabão. Tabuletas de argila inscritas com caracteres cuneifor-
mes revelam fórmulas que misturam água, óleo de cássia e
cinzas, mas não explicam como o sabão era utilizado.
   O Papiro de Ebers, escrito no Egito em 1500 a.C., não
apenas descreve como combinar gorduras animais e óleos
vegetais com sais alcalinos para criar substâncias sapo-
náceas, como também explica a possibilidade de uso do
material na lavagem. Todos os sabões têm, essencialmen-
te, a mesma estrutura química: um revestimento hidrofílico
(que atrai água) numa base hidrofóbica (que repele água)
de hidrocarboneto. Esse arranjo possibilita ao sabão desem-
penhar o ato aparentemente simples da limpeza. Primeiro a
substância interage com as moléculas de água reduzindo a
tensão superficial, para que elas se espalhem com mais faci-
lidade. Então, quando o revestimento hidrofílico atrai essas
moléculas, as bases hidrofóbicas (que também são lipofíli-
cas, ou seja, atraem gordura) prendem a gordura. Então uma
porção suficiente da base é presa numa partícula de sujeira
que, colocada na água, lava a gordura com grande eficiência.
   O primeiro uso do sabão foi para a limpeza da lã e do
algodão usados na manufatura de produtos têxteis, e tam-
bém havia uma aplicação como tratamento médico para
problemas de pele. Foi apenas no século II que o sabão
passou a ser usado na higiene pessoal.
   Quanto à origem do nome, a lenda romana conta a
história do monte Sapo, onde animais eram sacrificados
em rituais. Quando as chuvas levavam as gorduras animais
e as cinzas das fogueiras até o rio Tibre, não é necessária
muita imaginação para adivinhar o resultado da mistura
dessas substâncias. Sapo é uma palavra em latim que sig-
nifica "sabão". JH

Retirado do Livro 1001 Ideias Que Mudaram Nossa Forma de Pensar / Editora Sextante

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Autópsia

c 3000 a.C.

Autópsia

Egito antigo

Exame cuidadoso de um cadáver para descobrir a causa da morte

A palavra "autópsia" vem do grego autopsia (ver com os
próprios olhos) e se refere ao exame de um cadáver,
geralmente por algum médico, para descobrir a causa da
morte. Os egípcios antigos inventaram o procedimento
de autópsia por volta de 3000 a.C., embora seu foco esti-
vesse em preparar o corpo para a imortalidade em vez de
determinar o que ocorreu nos últimos momentos da vida
do indivíduo. Muito tempo depois, médicos da Grécia
antiga, em especial Erasístrato e Herófilo no século III a.C.,
tornaram-se os principais criadores da técnica de abrir
um cadáver por meio de cortes com a intenção de apri-
morar o conhecimento da anatomia. Quinhentos anos
depois, o médico romano Galeno (129-200/216 d.C.)
usou as suas observações do interior do corpo humano
para vincular os sintomas das pessoas com as anorma-
lidades encontradas durante a autópsia. Essas observa-
ções marcaram o início do diagnóstico médico científico
e confiável.
   No início do século XIX, a expansão da profissão médi-
ca gerou uma carência no fornecimento legal de cadá-
veres para o propósito de dissecção por estudantes que
buscavam praticar seus conhecimentos. Cadáveres eram
obtidos pelo roubo de túmulos, pela compra de corpos
de enfermarias ou até mesmo por meio de assassinato. O
caso mais conhecido é o de Burke e Hare,que assassina-
ram até trinta pessoas em 1828 para vender os seus cor-
pos ás escolas médicas de Edimburgo. Autópsias moder-
nas fornecem rigor científico ao trabalho de investigação
em casos de homicídio e são importantes para prevenir a
morte indevida causada por médicos ou cuidadores mal-
-intencionados. JF

Retirado do Livro 1001 Ideias Que Mudaram Nossa Forma de Pensar / Editora Sextante

Arte funerária egípcia

c. 3000 a.C.

Arte funerária egípcia

Egito antigo

Preservação e homenagem àqueles que se foram para a vida após a morte

A arte funerária egípcia foi motivada pela crença religio-
sa e cultural segundo a qual a vida continua após a morte,
característica presente naquela sociedade desde aproxi-
madamente 3000 a.C. Práticas como a mumificação, a cria-
ção de sarcófagos e a construção de pirâmides e tumbas
eram executadas com a intenção de honrar e preservar o
cadáver do falecido de forma a facilitar sua transição para
a vida após a morte. Além disso, diversos objetos escolhi-
dos com cuidado costumavam ser enterrados junto com o
morto, incluindo posses ou itens mais valiosos de acordo
com a riqueza e o status da pessoa em vida.
   A descoberta e investigação da arte funerária egípcia
se provou de valor imensurável para arqueólogos que bus-
cam reconstituir a ordem e a estrutura social da civilização
no Egito antigo. Procedimentos como a preservação deli-
cada dos órgãos internos do falecido em vasos canópicos
durante o processo de mumificação servem para demons-
trar a natureza elaborada e complexa dos sistemas de cren-
ça estabelecidos, assim como o poder e a importância da
crença em uma pós-vida mantida no decorrer de toda a
antiga civilização egípcia.
   Os exemplos mais conhecidos que restaram da arte
funerária egípcia são, sem dúvida, as Grandes Pirâmides
encontradas no planalto de Gizé, às margens do Cairo, no
Egito moderno. Atualmente um Patrimônio Mundial da
Unesco, as pirâmides são mais significantes como um des-
tino turístico do que como foco de um sistema de crença
religioso ou espiritual. Elas continuam, no entanto, a repre-
sentar uma crença firme na vida após a morte, que desem-
penha um papel central nas vidas de muitos crentes reli-
giosos. LWa

Retirado do Livro 1001 Ideias Que Mudaram Nossa Forma de Pensar / Editora Sextante

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Matemática

c. 3000 a.C.

Matemática

Egito antigo

Representação simbólica de ideias numéricas abstratas

A habilidade humana de formular e usar conceitos mate-
máticos provavelmente antecede os registros históricos,
visto que questões como mensuração, tamanho e quan-
tidade sempre foram de interesse prático, assim como a
habilidade de contar. Artefatos pré-históricos de até de 30000
a.C., embora em si não sirvam de evidências de conceitos
matemáticos consolidados, indicam até certo ponto que
as pessoas estavam fazendo marcas ou registros em tenta-
tivas de contar ou quantificar.
   Hieróglifos datados de 3000 a.C. evidenciam que os
egípcios já usavam numerais, enquanto papiros cuja data é
estimada em 2000 a.C. são alguns dos textos matemáticos
conhecidos mais antigos ainda existentes. Nada sobrevi-
veu para documentar até que ponto os egípcios realmen-
te compreendiam conceitos matemáticos, mas civilizações
indianas parecem ter usado padrões geométricos já em
2600 a.C. Matemáticos chineses parecem ter se desenvol-
vido independentemente, com o texto matemático chinês
mais antigo surgindo por volta de 300 a.C.
   Ao mesmo tempo que a matemática é vital para o pro-
gresso humano, ela também pode ser pouco prática. Todo
conceito matemático é "apenas" uma abstração, mas, por
meio da forma abstrata de conceitos, a matemática possi-
bilita respostas e deduções que não são restritas pelas rea-
lidades do mundo natural. A matemática, portanto, é uma
disciplina, ciência e linguagem que cria uma ponte entre
o mundo do pensamento ou dos conceitos e a realidade
cotidiana da existência humana. É uma ponte que atraves-
samos constantemente para calcular, medir e resolver mui-
tos dos problemas que enfrentamos. MT

Retirado do Livro 1001 Ideias Que Mudaram Nossa Forma de Pensar / Editora Sextante

Numerologia

c. 3000 a.C.

Numerologia

Egito antigo

Conexão mística entre os números e o mundo

A numerologia apela para uma conexão divina ou místi-
ca entre as propriedades dos números e aspectos da vida
humana. Essa intriga pelo poder dos números pode ser
vista em diversas culturas antigas, especialmente no Egito
antigo por volta de 3000 a.C. Retratos da figura mitológica
egípcia de Sechat, a deusa dos matemáticos e da astrolo-
gia, sobreviveram em grandes templos por todo o Egito,
fornecendo uma compreensão do efeito recíproco entre a
matemática e o místico na cultura egípcia.
   O estudo dos números e sua relação com o mundo
também foi adotado em culturas posteriores e era proe-
minente na filosofia grega. O filósofo grego Pitágoras
(570-495 a.C.) foi especialmente influente nessa questão,
desenvolvendo diversos princípios matemáticos que ainda
são usados atualmente. As bases desses princípios são pelo
menos discutivelmente numerológicas, dada a abordagem
mística das propriedades dos números que Pitágoras usou
em sua determinação
   A numerologia moderna tem base em muitos aspec-
tos do antigo tratamento místico dos números para ana-
lisar tipos de personalidade ou prever eventos futuros.
A numerologia pitagórica desenvolvida nos anos 1970,
por exemplo, apela à noção de que "tudo são números".
Embora atualmente essa prática seja amplamente desa-
creditada como pseudocientífica, suas origens antigas são
responsáveis por certas superstições persistentes. Na cul-
tura chinesa moderna, por exemplo, números pares são
considerados de mais sorte do que ímpares, enquan-
to muitos ocidentais têm uma aversão inexplicável pelo
número treze. LWa

Retirado do Livro 1001 Ideias Que Mudaram Nossa Forma de Pensar / Editora Sextante

domingo, 11 de junho de 2017

Maat

c. 3000 a.C.

Maat

Egito antigo

Princípio personificado de retidão e regularidade no universo

Embora a primeira menção de Maat - o antigo princípio
egípcio de verdade, justiça e regularidade no universo -
esteja nos Textos da Pirâmide (2375-2345 a.C.), o conceito
mais amplo é bem mais antigo. Assim como no Asha persa,
no Rta hindu, no Tao chinês e no Natura estoico, o Maat
consiste no padrão divino e princípio ordenador da cria-
ção, erguendo-se em oposição ao caos espiritual e físico. O
das tradições mesopotâmicas e bíblicas, que Deus separou
e manteve afastadas para criar o mundo. E, assim como a
Bíblia fala metaforicamente de Deus ordenando sabedoria
para o feminino ("Sabedoria ... Ela..."), também foi descrito
com frequência como uma deusa que traz ordem e justiça
ao universo. Na mitologia egípcia, ela era vista como res-
ponsável por regular as estrelas e as estações, assim como
as ações de mortais e de deuses.
   Embora um princípio tão amplo quanto o Maat possa
ser visto por toda parte, a deusa que o representava era
vista com mais frequência no trono de julgamento. Como
princípio de verdade e justiça, Maat agia como a juíza ou
conselheira do submundo. Sua tarefa neste papel era de
determinar se uma alma era justa ou injusta pesando o
coração da pessoa morta contra uma pena. Se a balança
permanecesse equilibrada, o falecido teria permissão de
seguir para a vida após a morte. Se o coração fosse mais
pesado do que a pena, seria determinado que o falecido
não seguira os princípios do Maat no decorrer de sua vida,
e neste caso ele teria o coração devorado por um demô-
nio. Na política, os faraós costumavam ser chamados de
"Senhores do Maat", pois, como governantes que respon-
diam ao divino, era seu dever manter a ordem na socieda-
de. Apesar de o termo Maat ter tido influência limitada fora
do Egito, o conceito - qualquer que seja o nome que rece-
ba - é central para a compreensão da ordem por boa parte
das sociedades, especialmente a ordem moral, assim como
a regularidade. AB

Retirado do Livro 1001 Ideias Que Mudaram Nossa Forma de Pensar